quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Reencontro

Hoje vou pra casa.
Quero ver as mesmas árvores, tropeçar nas mesmas pedras.
Quero me espantar ao ver o quanto as crianças cresceram desde a última vez que lá estive.
Quero lamentar as velhas e belas construções demolidas; admirar os prédios novos.
Ouvir o típico sotaque que embalou minha infância. Rir dos tropeços nos “eres” do povo de lá.
Ah! Vou comer muita cuca...
Quero caminhar pelas ruas queridas. Sentir o aroma de tabaco nas tardes úmidas.
Matar a saudade que sinto de mim.
Abraçar minha mãe e lhe contar minhas façanhas. Brincar de lutinha com meus irmãos.
Quero me reencontrar. Me redescobrir. Fazer o balanço das mudanças da vida na capital. Perceber de verdade em quem estou me transformando.
Quero fugir dos vôos rasantes dos morcegos famintos atrás das ameixas amarelas, que sempre me apavoravam por acreditar que poderiam morder meu pescoço.
Sei que vou sentir o baque de não reencontrar aquele que representava meu porto seguro. Chorar e ter quem me console.
Quero abraçar os amigos e sentir meu peito disparar.
Vou passar quatro dias de sonhos. Pedalar a velha aro 24 pra me esquecer dos sacolejos dos coletivos urbanos. Dar longas caminhadas no “Municipal”. Dizer coisas piegas como lar doce lar...
Me revisitar.
Provavelmente vou me emocionar e quando chegar a segunda-feira e minha mãe me deixar na rodoviária, quero embarcar pra Porto Alegre com a certeza renovada de que pertenço a algum lugar.
Revigorada. Reabastecida pra encarar com mais coragem os meus sonhos.

Um comentário:

Anônimo disse...

eu compartilho do mesmo pensamento, embora a sua definição seja mais perfeita que a minha, ja que nao consegui expressao tao bem assim o sentimento de retorno a terra natal...ciao...prego